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Escrito por Débora Nascimento   

Apontada como uma das melhores bandas da nova geração musical do país, Mombojó grava de forma independente disco que fica pronto em junho.

Amigo do tempo. Este é o título poético que a banda Mombojó vai dar ao terceiro disco, previsto para ser lançado em junho deste ano. O CD, que sucede os elogiados e premiados Homem-espuma (2006) e Nadadenovo (2004), começou a ser gravado em janeiro, no Recife, e agora segue para São Paulo, onde a banda fincou moradia há um ano. O disco vem sendo gravado com recursos próprios, já que o contrato com a Trama não foi renovado. Pela gravadora paulista, lançaram Homem-espuma, que teve vendagem de duas mil cópias, bem inferior ao disco de estreia (realizado com recursos do Sistema de Incentivo à Cultura), que vendeu 10 mil, sendo encartado na revista OutraCoisa, com distribuição nacional.

Nadadenovo foi beneficiado por fatores como: ser a “estreia da banda”, que recebeu críticas positivas da imprensa de todo o país (além da divulgação “boca-a-boca”); estar agregado à “revista-manifesto de Lobão” e também porque o processo de download não estava tão massificado como hoje. Enquanto Homem-espuma, contrariando todos os itens anteriores, foi concebido dentro do “velho esquema de distribuir e de operar de uma gravadora”, chegando ao consumidor final por um valor em torno de R$ 30. É bom considerar também que a Mombojó não espera pela ação dos “piratas” ou dos nerds: é a primeira a colocar seus discos disponíveis para downloads gratuitos. Sem a chancela de uma gravadora, o terceiro disco, segundo a banda, tem a vantagem de ser gravado com mais tempo. O anterior, por exemplo, foi agendado para ser registrado em dois meses (a produção ficou a cargo de Lúcio Maia, da Nação Zumbi, e Daniel Ganjaman, do Coletivo Instituto). Com Amigo do tempo, a Mombojó tem menos pressa nas gravações, testa mais possibilidades, discute os resultados  e aprende com essa autoprodução.

Mas isso não quer dizer que a banda não queira o nome de um bom produtor na ficha-técnica. Por enquanto, conseguiram fechar com Pupillo (Nação Zumbi e 3naMassa) a produção de seis músicas e estão pensando em Kassin (apontado como um dos melhores novos produtores do país) para burilar outras.  “A ideia é que o produtor trabalhe, pelo menos, algumas faixas”, conta o vocalista Felipe S.
Não ter à mão orçamento suficiente para pagar a produção musical é uma das desvantagens de estar sem “chefe”. Por conta disto, o grupo afirma que vai tentar o apoio de “alguma lei de incentivo” para viabilizar o pagamento dessa e de outras fases de realização do disco.


Leia a matéria na íntegra na #100 da Revista Continente