A noite de 21 de outubro de 1967 marcou a história. Além de ter consagrado grandes nomes da música brasileira que ainda hoje são referência, o III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, conhecido como “O Festival da Virada” definiu um momento trivial da cultura do país.
O documentário Uma Noite em 1967, dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil foi o ganhador do premio de melhor filme do Festival É Tudo Verdade de 2009 e vai entrar no circuito nacional na próxima sexta-feita, dia 30 de julho. Além de relembrar um período de áurea da música brasileira, os diretores conseguiram imagens sensacionais da noite e não só recortes.
Durante a década de 60, os festivais de música popular foram uma 'febre' nas emissoras e revelaram nomes como Chico Buarque e Caetano Veloso. Em período político bastante conturbado, as músicas (Roda Viva, Ponteio, Domingo no Parque) representavam uma resistência e o público que vaiava e aplaudia com a mesma força apoiava-se na voz daqueles artistas.
Com depoimentos antigos e recentes de vários artistas – Edu Lobo, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Sérgio Ricardo- o filme não é enfadonho, mesmo que suscite um debate recorrente, nas rodas de conversa sobre a história da música popular brasileira. Entre passeatas contra a guitarra elétrica e a explosão do tropicalismo, Uma Noite em 67 dá pinceladas do que seria viver naquele momento de explosão cultural.
Quatro décadas mais tarde, os artista relembram a alegria e a pertubação de terem pertencido àquela noite. Caetano em uma passagem declara que não gosta de ter “Alegria, Alegria” como a SUA música, mas ainda toca às vezes, quando o público insiste. Saudade ele tem da força física de um jovem aos 24 anos, sua idade em 1967.
Dentre imagens belas e marcantes por apresentarem artistas muito mais novos, além dos bastidores da recém nascida televisão, ver-se Chico aos 23 anos com um smoking, Gilberto Gil beijando Nana Caymmi na plateia, e o próprio Caetano cantando sob um coro de vaias que foi revertido em aplausos pela qualidade da sua música, como lembrou Nelson Motta em depoimento.
Para o próprio Edu Lobo, ganhador naquele ano com a música “Ponteio”, os festivais tinham uma efervescência que contagiava, mas também foram muito cruéis ao reproduzirem artistas de 'uma só música'. Uma Noite em 67 instiga a memória e sucinta lembranças através de belas imagens que felizmente permaneceram vivas.
Site oficial: www.umanoiteem67.com.br
Local: Cinema da Fundação Joaquim Nabuco
Horário: Sexta, Sábado e Quarta-feira: 17h, 20h40
Domingo e Terça-feira: 17h, 18h50
Quinta-feira: 18h50, 20h40